Quando o colaborador sai e o problema começa: O papel da perícia digital em equipamentos corporativos

Em muitos conflitos empresariais, o problema não surge durante a relação de trabalho, mas no momento do desligamento. É comum que, ao devolver um notebook, um desktop ou até mesmo um celular corporativo, a empresa se depare com um cenário inesperado: o equipamento não inicializa, o sistema foi formatado, arquivos essenciais desapareceram ou há indícios claros de uso indevido pouco antes da saída.

Imaginemos a seguinte situação: um funcionário da área técnica é desligado e, dias depois, a empresa percebe que um sistema crítico passou a apresentar falhas. Ao analisar o notebook devolvido ou mesmo um servidor comprometido, constata-se que o disco rígido está vazio, sem partições ativas, houve uma formatação recente, ou mesmo arquivos deletados. A dúvida que surge não é apenas se houve perda de dados, mas se essa perda foi acidental ou intencional.

Em outro cenário, um prestador de serviços com acesso privilegiado devolve o equipamento aparentemente em perfeito estado, mas semanas depois a empresa identifica acessos suspeitos, criação de usuários não autorizados ou extração de dados sensíveis. Surge então a suspeita de que informações estratégicas possam ter sido copiadas antes do encerramento do contrato.

Há ainda situações mais sofisticadas, como aquelas envolvendo concorrência desleal. Um ex-colaborador cria acessos em plataformas internas, replica fluxos de dados, tenta compreender a lógica de funcionamento de sistemas proprietários ou copia bases de dados com o objetivo de replicar o modelo em um negócio concorrente. Nesses casos, a prova não está na palavra de ninguém, mas nos vestígios digitais deixados no equipamento e nos sistemas utilizados.

É exatamente nesse ponto que a perícia digital corporativa se torna essencial. Diferentemente de uma análise superficial ou de uma simples tentativa de “ver o que sobrou”, a perícia trabalha com metodologia técnica, cadeia de custódia e análise estruturada de evidências digitais.

Logs, registros de sistema, eventos de inicialização, histórico de acessos, tentativas de sobrescrita, uso de ferramentas de destruição de dados e alterações em firmware ou boot podem indicar o que ocorreu, quando ocorreu e de que forma.

A perícia não parte de suposições. Ela busca responder, com base técnica, se houve formatação deliberada, tentativa de ocultação de rastros, uso indevido de credenciais ou simples falha operacional. Esse tipo de análise tem sido cada vez mais utilizado em investigações internas, disputas trabalhistas, litígios empresariais e ações envolvendo violação de deveres contratuais.

Perícia digital não é vigilância, nem espionagem. É produção de prova técnica, realizada dentro dos limites legais, com o objetivo de esclarecer fatos que, sem análise especializada, permaneceriam apenas no campo da suspeita.

Como a CyberExperts pode atuar nesses casos

A CyberExperts atua em perícias digitais corporativas voltadas à análise de equipamentos utilizados por colaboradores, ex-colaboradores e prestadores de serviço, com foco na produção de prova técnica defensável em juízo.

O trabalho envolve coleta, preservação e análise forense de dispositivos, com observância da cadeia de custódia e das boas práticas internacionais, auxiliando empresas e escritórios de advocacia a esclarecer fatos, identificar responsabilidades e subsidiar decisões jurídicas.

Quando o problema não pode ser resolvido por achismos, a perícia técnica é o caminho.

É melhor evitar! Prevenção como estratégia: palestras e treinamentos corporativos

Além da atuação pericial, a CyberExperts desenvolve palestras e treinamentos corporativos voltados ao aumento da maturidade em gestão de riscos digitais, com foco na prevenção de incidentes envolvendo colaboradores, ex-prestadores de serviço e uso indevido de ativos tecnológicos. Os conteúdos abordam, de forma prática e técnica, temas como governança de acessos, controle de dispositivos, desligamento seguro de colaboradores, preservação de provas digitais e resposta a incidentes, ajudando empresas a reduzir riscos, evitar perdas de informação e mitigar conflitos futuros antes que se tornem disputas jurídicas.

 

José Milagre, CEO da CyberExperts. Mestre e Doutor UNESP – [email protected]

 

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